Depois da Segunda Guerra, Paris retoma seu lugar como capital da moda internacional e lança o new look (1947), criação do modista Christian Dior, diretor das maisons de couture do industrial têxtil Mareei Boussac. As saias encurtam, a cintura diminui, seios são realçados, os tecidos ganham estampas alegres e coloridas.
Além de Dior, outros mestres da costura internacional ditam a moda que irá pontificar também nas noites de gala brasileiras: Falh, Pierre Balmain, Rouff, Griffe e Lanvin. Nos anos 50, os mais procurados modistas brasileiros viajam frequentemente a Paris: José Ronaldo, Nazarelh, Paulo Franco (da loja Vogue), Elza Haouache, Mme. Rosita, Jacyra, DoI1, Canadá, Mme. Janrot. Chemisiers de lingerie. saias plissadas e tecidos sintéticos (nylon e rayon) são algumas das inovações. Grandes magazines, como o Mappin, popularizam a "alta moda", através do crediário. E o começo do prêt.à-porter.
Segundo a cronista de moda llka Labarthe, os dois modelos de roupa feminina mais importantes dos anos 50 eram o redingote, e o tailleur.
O primeiro era um vestido acinturado, de saia larga, preso na frente e com cinto fantasia atrás (martingale). O segundo, um conjunto de saia (justa) e casaco, usado com blusa ou jabot (preso no pescoço, cobrindo só a frente). "Estes modelos são confeccionados em tweed, drap, aleoulaine e tecidos grossos ou lisos.
Em 1960, os vestidos acinturados foram para o fundo do baú. Em seu lugar, chegaram os vestidos chemisiers, com saias retas ou evasées, decotes ousados e uma echarpe no pescoço. Desde então, a tendência de roupas com linhas alongadas não parou mais.
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Chanel de tecido “vedette” rosa Da Rhodianyl e lã, 1960. Vestido chemisier de flanela de lã, outono 1964. Saia ampla no modelo francês de 1960. |
Paralela a essa corrida pela liberdade de movimentos, desencadeou-se uma ofensiva dos fabricantes de fibras sintéticas. Embora, a princípio, estes tecidos fossem importados, com o tempo passaram a ser produzidos pelas indústrias nacionais, popularizando-se as confecções em ban-lon, tergal, nylon, acrílico, rayon e poliéster.
Em 1963, os costureiros desenhavam tailleurs e terninhos com japonas 7/8. As revistas anunciavam "a sobriedade que os homens tanto apreciam em tecidos e padronagens traduzida para a graça feminina". Mas essa sobriedade não era total. Em 1964, a VII FENIT expunha, como curiosidade, o monoquíni. Estava vestido num manequim de borracha e não obteve sucesso. Os homens comentavam que já não havia mais com que sonhar, diante de peça tão ousada.
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Maiô duas peças de 1963: escândalo e polêmica. |
É a partir do começo dos anos 60 que o prêt-à-porter vai chegar de alguma maneira à verdade de si mesma, concebendo roupas com um espírito voltado à audácia, à juventude, à a novidade do que a perfeição. Uma nova espécie de criadores se impôs, não pertencendo mais, fenômeno inédito, à Alta custura.
Mas o maior sucesso foi a criação da moda jovem de 1965/66, por influência dos Beatles.
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Vestido cor de rosa com recorte na frente e malha canelada. Calça e jaqueta de malha tergal vermelha. Lindas e práticas as saias longas são mais femininas. |
A década de 70 foi um tempo onde todas as culturas e estilos reclamaram seu espaço ao mesmo tempo. Chocar, antes de mais nada, era a intenção principal. É por isso que essa época também é marcada por um modo de vestir "tudo junto". Para alguns, quanto mais disparate a combinação, melhor.
A mini, vinda dos anos 60, teve uma overdose e virou micro antes de perder a vez para o short, a midi e a máxi. Do short (também conhecido como hot pants) disse o árbitro da elegância, Ibrahim Sued: "O short, para quem não tem bom gosto, tem uma vantagem, você o usa para cozinhar e, se tiver que fazer compras à tardinha, pode sair com o próprio". (Manchete, fevereiro de 1971)
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Saia longa própria para todas as ocasiões em algodão crú com grandes bolsos. . |
A mini/micro fazia a alegria da estudantada nas escolas e universidades com escadas. Na PUC do Rio, os padres finalmente liberaram o uso de calças pelas moças diante do fato incontornável que a subida para as aulas, pelas escadas vazadas, estava se tornando um espetáculo com alto índice de audiência.
A midi transformava instantaneamente qualquer mulher numa matrona, mas Bianca Jagger usava com saltos plataforma e tudo bem. Mas a máxi acabou imperando e, em todos os materiais possíveis e imagináveis, trafegou livremente entre caretas e desbundadas. Só era complicado quando chovia. E na hora de pegar ônibus.
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Calça de tergal com listras bem finas, bolsos horizontais bem junto do cós. |
No final da década, o filme Saturday Night Fever inaugurou a era disco. Apesar de ter pouca duração, seus efeitos podem ser sentidos até hoje. Suas cores, brilhos, formas são desejos explorados pelos estilistas de todas as décadas seguintes. O estilo glam exigia cetim, lantejoulas, palidez, olhos bem marcados e uma certa disposição para fazer as sobrancelhas desaparecerem os mais empolgados chegavam a raspá-Ias inteiramente, mas a maioria mandava mesmo uma água oxigenada nelas. O modelo era David Bowie (fase Ziggy Stardust / Pin Ups / Diamond Dogs) e a base era a androginia, o visual que Bowie mesmo definia na canção "Rebel Rebel": "seus pais não sabem se você é menino ou menina".
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Estilo glan: menino ou menina? |
Quem não tinha acesso à maquiagem teatral dos popstars recorria ao pancake e colava estrelinhas de papel e lantejoulas no rosto com cola de cílios postiços. Rita Lee teve uma longa fase glam, Wanderléa teve seu momento, em 72-73, quando se mudou brevemente para Los Angeles, mas os grandes ícones do estilo foram os Secos & Molhados e os Dzi Croquettes. Os antecedentes do estilo disco da segunda metade da década estão com certeza no visual glam.
Foram nos anos 70 que os sapatos plataforma voltaram à moda, renovado por adornos, e unissex. Aliás, o modo unissex de vestir se fortalece no final dos anos 70 e início da próxima década. Shorts curtos, botas de diversos tamanhos, saltos grossos e acessórios são apenas alguns exemplos desse novo modo de encarar o feminino/masculino, sem falar nos tênis, trazidos pelos esportes que cada vez mais conquistavam adeptos.
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O exagero, marca da década, nos sapatos e acessórios. |
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Luxo, poder e status podem definir com exatidão os desejos dessa década. |
Os anos 80 serão eternamente lembrados como uma década onde o exagero e a ostentação foram marcas registradas. Os seriados de televisão, como Dallas, mostravam mulheres glamourosas, cobertas com jóias e por todo o luxo que o dinheiro podia pagar. Os yuppies, executivos jovens sedentos por poder e status, também eram outro movimento.
A moda apressou-se por responder a esses desejos, criando um estilo nada simplório. Num afã em ostentar, todas as roupas de marcas conhecidas tinham seus logos estampados no maior tamanho possível, com preços proporcionais. O jeans alcança seu ápice, ganhando status. E os shoppings tornaram-se paraíso dos consumistas.
Mas, não bastava ser bem-sucedido e bem-vestido. Nessa década, ter um corpo bonito e saudável era essencial para o sucesso. Assim, numa continuidade pelo amor aos esportes inaugurado na década anterior, explodiram academias por todos os cantos, onde os frequentadores iam com suas polainas e collants para as aulas de aeróbica, movidas por músicas dançantes e ritmadas, com temática comum: ginástica, poder, sucesso.
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O jeans alcança seu ápice e ganha status em versões informais com linhas mais suaves. |
Influenciando as roupas, o espírito esportivo levou o moletom e a calça fuseaux para fora das academias e consagrou o tênis como calçado para toda hora. Este último também fez ressurgir a moda de calçados baixos, como os mocassins, tanto multicoloridos como clássico.O "molhado", conseguido com gel e lookmousse para cabelos, fez a cabeça de homens e mulheres, ao lado das permanentes fartas e topetes tão altos quanto se conseguisse deixá-los.
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Capacete de pois: criação espirituosa de David Shilling de 1985. |
A cartela de cores era vibrante, prezando por tons fortes e fluorescentes, com jogos de tons e contrastes. A modelagem era ampla. As mulheres, que nesse momento ingressaram maciçamente no mercado de trabalho à procura por cargos de chefia, adotaram o visual masculino. Cintura alta e ombros marcados por ombreiras era a silhoueta de toda a década, ao lado de pregas e drapeados para a noite ou dia. A moda masculina seguiu o mesmo estilo, com ternos folgados e calças largas. Para os acessórios, tamanho era sinônimo de atualidade.
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Tênis: calçado para toda hora. |
A música se consagrou como formadora de opinião e estilo, levando ao estrelato cantoras como Madonna, que influenciou a sociedade com seu estilo livre e despudorado. O Punk, New Wave e Break também merecem destaque.
Em um universo tecnológico (o Atari surgiu nessa época), a moda também inspirou-se no Japão, emergente com suas novidades, e em tudo o que fosse eletrônico... neons, computadores, automáticos.
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A febre fluor e as coqueluches dos anos 80: sapatos doksides para eles e sandálias Melissa para elas. |
Fontes: Nosso Século - Editora Abril / O Império do Efêmero - Companhia das Letras
Enciclopédia da Moda - Companhia das Letras / O Design do Século - Editora Ática
Almanaque Anos 70 - Ediouro / Almanaque Anos 80 - Ediouro / www.modapoint.com.br